sábado, 5 de setembro de 2020

Se a escrita se apaga

Se a música não toca

Se o teatro é sem ato

Se a escultura desaba

Se o cinema não se projeta

Se a pintura escorre

Se a dança pára

 Se a ideia está encerrada

Sinta o tempo, olhe as flores, ouça a água, toque a pele

Veja as sombras que a luz cria

O mover que o vento provoca,

O pavor da solidão que seu rosto encena

A vida já é um poema.



quinta-feira, 14 de maio de 2020

A pior pessoa do mundo

Sim, sou eu
Chega de delegar ao outro minhas mazelas
Enquanto eu não rasgar a garganta contra tudo que oprime, serei a mais calada
Enquanto aceitar esse lugar, enquanto isso...enquanto só escrevo e não faço
só omissão e anestesia
Enquanto eu vender meu corpo como patrimônio social
não terei meu corpo
enquanto isso, sonego impostos ao desejo de me ser
Toda vez que aceito a obrigação
sou obrigada, falo obrigada, preciso estar abrigada no meu lugar
Lugar de escolha
Sim, sou eu
que escreve intensamente com as vísceras....
Sim é você que me arranca os membros, dedos, cotovelos....
Enquanto isso escuto a melhor música, meu corpo dança, meu gozo lança sua impotência
Me arrancando de mim, te sobra apenas a imaginação
A realidade ?! A experiência?!
 Peça por favor, peça licença
Viver não é solitário
Tem alguém alí
Uma esfinge, uma charada, um devir

Restos de sobras de dejetos


dedicatórias....
ao meu irmão do meio o grito em iii de um heavy que não entendi
mas amei
ao mais velho um argumento sobre o depois e  o antes, ética e direitos...sobre a existência
Sobre mim pétalas e lama e lamento
lama não, porque o solo está seco
perguntas são necessárias? Sobre a qualidade de minhas palavras, obras, corpo, beleza, estrada
Ignorem
Sou uma daquelas iguais aquelas outras que imitaram outras delas sou como elas
sou querela
sou quimera
sou Aurora
sou Amélia
Sou Angélica
Sou ..... não fiquei prestando testimunho
não atesto nada.....
Tá...estive na estrada, vi coisas, até denunciei, briguei por causas....
Mas não boto banca ....ancas largas...firme no chão
Isso, mulher legião
Quase um tumulto, uma multidão
Parecida com todo mundo
Igual a nada
Não compro um jogo pronto, reescrevo, caio em ciladas, sou sensível
E qual é o problema? Ter trema ao invés de acento agudo
Você geme, eu uivo
Nos entendemos bem... pode ser que eu seja mais inteligente, saiba coisas demais em tempo mais curto
Isso não diminui um circuito que vai de um pólo ao outro
O que ofereço não é um biscoito, de recompensa...
Ofereço trégua....pode ser que sejamos mais parecidos do que pregaram
Pode ser que nos roubaram alguma feminilidade e passamos a competir num campo sem vencedores
Talvez sejam todos atores, se for isso, fim de cena, happy end, sim, estou cansada
Me rendo....na verdade, teço a renda...
Olé mulher rendeira.... 

terça-feira, 12 de maio de 2020

Máscaras sem baile

Ainda sou poetiza?
Ainda sou qualquer coisa que viva?
Saí nas ruas, maio de 2020, a multidão mascarada cercava meus medos
São vazios que coleciono sem álbum
Estou trancada e eles livres
Estou guardada e eles vivem?
Onde estão? Em 2020? O mesmo tempo que mortificou meus projetos mais sensíveis
Meus planos de maior identidade....tirou-me o nome
O que me consome é dúvida
Estamos aí ou aqui nas mesmas ruas? É um mundo paralelo?
Sento e espero, alguém me chamar para um baile, sempre tem um quando o prazo termina
Quando chega uma data especial, um ritual de passagem
Para onde passei? Quem passa por aí?
Procuro a liberdade em teclas, fotos...os fatos me aprisionam à realidade
Só eu estou vivendo isso de verdade?
Acho que enlouqueci
Foi tarde
Já não entendia nada, há tempos
Ainda sou poetiza....
Mas agora, minha rima briga....não disfarça.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Escrever poesia e o que me restou
Antes eu tinha colágeno e poesia
Antes tinha alegria e poesia
Antes tinha o antes
E agora tenho insônia
Sinto dormência nos dedos....dor nas costas
Sinto que ja estou meio morta, embora a vida tenha chegado apenas ao meio
Cortei a metade dos meus desejos
A outra metade ofereço para o santo
Não engulo nenhuma parte, sonhar tornou-se tão imaturo que vivo acordada, deambulando
Acabo agindo como bêbada, bebo para disfarçar que estou ao meu natural
Sou tímida...desde pequena, por isso desisti de ser honesta
A timidez é sempre falsa, faz a gente de ator
Estou exausta e não durmo
Farta e não cesso
Morta e não descanso
Triste e não choro
Estou remoendo alguns erros, ruminando
Quero comê-los novamente
Quero des-errar....quero ser errante no sonho antes de errar acordada
Quero perdoar a pessoa em mim que errou
E quem sabe voltar o tempo e retomar meus melhores projetos
Quero os amores que jurei eternos
E ainda, quero não chorar melhor os fins que criei para os meus pontos
Eu nunca tive interrogação
Sou exclamativa
Quero por reticências na minha vida
E ponto final
Desidratação, é chato....a pele seca...
Poema sem fim
.....
Eu quero aquele dia, em que eu não sabia...
Por que hoje sei?

domingo, 17 de maio de 2015

Quando é triste vazio da noite

Embriago as letras
Cada sílada é um quebra-cabeças
Trago palavras, baforo frases, suspiro poemas....
Sou tema de uma tese e você: objetivo
Qual o sentido do seu abstrato concreto tiro no meu ego?
Eu rio
Eu janeiro
Eu Brasil
Eu mundo inteiro
Eu vazio
Eu triste
Eu poeteiro
Não façam analogias, fica feio
Fica funk
Fica favela
Gosto da Rocinha, da Magueira, Vidigal, Alemão, gosto da paisagem na contramão
Eu declamo batatinha quando nasce
Eu me esparramo pelo chão
É dançacontemporânea
Qual nossa metodologia? Chegaremos a quais resultados?
Está tarde eu desconfio, choro, um arrepio no meu colo diz que está longe
O menino que namoro....
Estou tecendo, bordando, criando um enchimento...não para escrita
Mas para o lamento....espero críticas
Espero vento...espero ar, água, espero um esquento de abraço, qualquer afago é
Bem vindo
Moro em Minas....e preciso necessito comunicar as Gerais
Considerações Finais
Aqui a calmaria já foi suplício e agora é paz
Aqui o silêncio já foi ruído e hoje é motivo,motivo de ação...esconderijo de artistas
Eita lugar bão!!!
Cidade do eterno retorno....mas e nós?!
E meu namoro morno que está sem fogão?
E a lenha deste forno?! E o choro do amigo?! E o café sem bolo?! E o tempo?!
O tempo de Minas ficou paulistano....pra que tanto interurbano???
DDD
vazio da noite
Da sala...do abraço, vazio do cansaço...
Tão vazio que não dura a samambaia...
Quanto tempo espera um amor?
referências
Seu odor e retrato

sábado, 20 de dezembro de 2014

Você já foi uma flor
Agora você é espinho
Já teve o meu amor
Agora vive passarinho
Voo voo
Você é como um bongô
Que faz barulho bom sem ritmo
Mas quando tudo passou
Tornou-se violão sem timbre...
Você não tem cor
Não tem nada que te colora
 Branco e preto sem vida
Sem mistura e sem batalha...
Você perdeu o vôo.
Parece canhão sem mira
Atinge o que lhe atrapalha
Seus objetivos são santos
Não tem santificação que valha...
Você caotizou....
Você é brilho sem ter
Aquilo que precisa de luz
Nada que atinge conduz o teu brilho que cega e crema
Você não é, você teima!!!