segunda-feira, 24 de novembro de 2014

depósito

Guardando o que pode ser útil
Juntando, precavendo
Empoeirando o tempo
Pra usar depois
Coisas que já foram úteis
Coisas das quais não me lembro
Meu último poema será o enterro destas velharias
Farei coisas novas que não se chamarão poesia
Serão consideradas instalações
Desmontáveis e descartáveis
Como a tecnologia e como as relações da atualidade
Enquanto tenho esperança
Deposito em conta, em quartos baguncados, em minha cabeça enrolada
O que hoje perdeu utilidade
Mas cuja importância ainda pede reciclagem.

sábado, 22 de novembro de 2014

Talvez eu não pare
Mesmo se o não seja gritado, se for ignorada minha súplica
Mesmo que com fúria sejam respondidas minhas perguntas
Entre ameaças e ofensas, entre ser aviltada e desprezada, eu farei um gesto
Mesmo sendo impossível, mesmo sendo imbatível o monstro da contrariedade
Mesmo que esteja enganada, mesmo que meu amor não seja verdade
mesmo que eu tenha alimentado paixões obstinadas sem qualquer menção de se tornarem honrosas
Mesmo que não sobre de mim, qualquer resto, qualquer lembrança, sopro ou poeira
Eu creio que não pararei
Porque o desejo me move, e mesmo morta, o movimento não cessa...
Ele só cessa quando realizo ou mudo o destino...da investida!!!
É a vida, por isso escrevo, para reescrever o desejo!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

falso self

Onde só há técnica não há verdade
Mas há verdade no erro
E há medo onde transparece a fragilidade
Opinamos por consumir esta ou aquela atitude
Palavras rudes
Olhares insones, diuréticos
Escondemos a necessidade de liberdade,
encenando-a
Mais uma compra
Mais um selfie
Mas um email com belas palavras
Mais um nada vestido de coisa
Coisa nenhuma
Onde só há ficção
Não existe realidade
Só notícia, sem acontecimento
Teoria sem experiência
Poesia sem sentimento
Ciência sem humanidade...
Caras pela metade
Em busca de rara espontaneidade...
Será que eu disse alguma verdade?


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Dentro de mim reside uma menina de 5 anos...
Que balança os pés para dormir
Dando corda nos sonhos
Faz planos majestosos como comer chocolate
Quebrar os ovos para o bolo
Que tem olhos tristonhos, quando está com sono
Ou quando um amigo não quer brincar
E logo se alegra como em pura festa
Por outro amigo chegar
Uma menina curiosa
Que ri de tudo e por pouco chora
Que de birra em birra cresce e perde a hora
Logo esquece da demora...
Uma menina que implora para que eu não cresça
E se crescer
Que eu não a esqueça.