Você já foi uma flor
Agora você é espinho
Já teve o meu amor
Agora vive passarinho
Voo voo
Você é como um bongô
Que faz barulho bom sem ritmo
Mas quando tudo passou
Tornou-se violão sem timbre...
Você não tem cor
Não tem nada que te colora
Branco e preto sem vida
Sem mistura e sem batalha...
Você perdeu o vôo.
Parece canhão sem mira
Atinge o que lhe atrapalha
Seus objetivos são santos
Não tem santificação que valha...
Você caotizou....
Você é brilho sem ter
Aquilo que precisa de luz
Nada que atinge conduz o teu brilho que cega e crema
Você não é, você teima!!!
sábado, 20 de dezembro de 2014
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
depósito
Guardando o que pode ser útil
Juntando, precavendo
Empoeirando o tempo
Pra usar depois
Coisas que já foram úteis
Coisas das quais não me lembro
Meu último poema será o enterro destas velharias
Farei coisas novas que não se chamarão poesia
Serão consideradas instalações
Desmontáveis e descartáveis
Como a tecnologia e como as relações da atualidade
Enquanto tenho esperança
Deposito em conta, em quartos baguncados, em minha cabeça enrolada
O que hoje perdeu utilidade
Mas cuja importância ainda pede reciclagem.
Juntando, precavendo
Empoeirando o tempo
Pra usar depois
Coisas que já foram úteis
Coisas das quais não me lembro
Meu último poema será o enterro destas velharias
Farei coisas novas que não se chamarão poesia
Serão consideradas instalações
Desmontáveis e descartáveis
Como a tecnologia e como as relações da atualidade
Enquanto tenho esperança
Deposito em conta, em quartos baguncados, em minha cabeça enrolada
O que hoje perdeu utilidade
Mas cuja importância ainda pede reciclagem.
sábado, 22 de novembro de 2014
Talvez eu não pare
Mesmo se o não seja gritado, se for ignorada minha súplica
Mesmo que com fúria sejam respondidas minhas perguntas
Entre ameaças e ofensas, entre ser aviltada e desprezada, eu farei um gesto
Mesmo sendo impossível, mesmo sendo imbatível o monstro da contrariedade
Mesmo que esteja enganada, mesmo que meu amor não seja verdade
mesmo que eu tenha alimentado paixões obstinadas sem qualquer menção de se tornarem honrosas
Mesmo que não sobre de mim, qualquer resto, qualquer lembrança, sopro ou poeira
Eu creio que não pararei
Porque o desejo me move, e mesmo morta, o movimento não cessa...
Ele só cessa quando realizo ou mudo o destino...da investida!!!
É a vida, por isso escrevo, para reescrever o desejo!
Mesmo se o não seja gritado, se for ignorada minha súplica
Mesmo que com fúria sejam respondidas minhas perguntas
Entre ameaças e ofensas, entre ser aviltada e desprezada, eu farei um gesto
Mesmo sendo impossível, mesmo sendo imbatível o monstro da contrariedade
Mesmo que esteja enganada, mesmo que meu amor não seja verdade
mesmo que eu tenha alimentado paixões obstinadas sem qualquer menção de se tornarem honrosas
Mesmo que não sobre de mim, qualquer resto, qualquer lembrança, sopro ou poeira
Eu creio que não pararei
Porque o desejo me move, e mesmo morta, o movimento não cessa...
Ele só cessa quando realizo ou mudo o destino...da investida!!!
É a vida, por isso escrevo, para reescrever o desejo!
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
falso self
Onde só há técnica não há verdade
Mas há verdade no erro
E há medo onde transparece a fragilidade
Opinamos por consumir esta ou aquela atitude
Palavras rudes
Olhares insones, diuréticos
Escondemos a necessidade de liberdade,
encenando-a
Mais uma compra
Mais um selfie
Mas um email com belas palavras
Mais um nada vestido de coisa
Coisa nenhuma
Onde só há ficção
Não existe realidade
Só notícia, sem acontecimento
Teoria sem experiência
Poesia sem sentimento
Ciência sem humanidade...
Caras pela metade
Em busca de rara espontaneidade...
Será que eu disse alguma verdade?
Mas há verdade no erro
E há medo onde transparece a fragilidade
Opinamos por consumir esta ou aquela atitude
Palavras rudes
Olhares insones, diuréticos
Escondemos a necessidade de liberdade,
encenando-a
Mais uma compra
Mais um selfie
Mas um email com belas palavras
Mais um nada vestido de coisa
Coisa nenhuma
Onde só há ficção
Não existe realidade
Só notícia, sem acontecimento
Teoria sem experiência
Poesia sem sentimento
Ciência sem humanidade...
Caras pela metade
Em busca de rara espontaneidade...
Será que eu disse alguma verdade?
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Dentro de mim reside uma menina de 5 anos...
Que balança os pés para dormir
Dando corda nos sonhos
Faz planos majestosos como comer chocolate
Quebrar os ovos para o bolo
Que tem olhos tristonhos, quando está com sono
Ou quando um amigo não quer brincar
E logo se alegra como em pura festa
Por outro amigo chegar
Uma menina curiosa
Que ri de tudo e por pouco chora
Que de birra em birra cresce e perde a hora
Logo esquece da demora...
Uma menina que implora para que eu não cresça
E se crescer
Que eu não a esqueça.
Que balança os pés para dormir
Dando corda nos sonhos
Faz planos majestosos como comer chocolate
Quebrar os ovos para o bolo
Que tem olhos tristonhos, quando está com sono
Ou quando um amigo não quer brincar
E logo se alegra como em pura festa
Por outro amigo chegar
Uma menina curiosa
Que ri de tudo e por pouco chora
Que de birra em birra cresce e perde a hora
Logo esquece da demora...
Uma menina que implora para que eu não cresça
E se crescer
Que eu não a esqueça.
domingo, 21 de setembro de 2014
Domingo
Rede na varanda
Barulhos dispersos
Balança o humor entre deprimido e esperançoso
As crianças brincam
tudo sem intensidade
Os desejo calados de sábado
a certeza da semana que começa
Nenhuma pressa
Dormingo
Almoço especial
Silêncio sob chuva
barulho dos dentes estilhaçando uvas
Tudo se ouve por dentro
tal a quietude
Esperança que renasce ou tédio que finge descanso
Parques lotados
Rostos mansos
ressaquiados
Até o ódio aguarda o dia mais agitado
para manifestar-se
Domingo é música que não se dança
Ou Samba que disfarça o dia
Leitura embaixo de cobertas
Abraço para quem tem frio
Solidão para quem tem saudade
Encontro para os queridos, com palavras francas ou pelas metades
Sorrisos largos e repetidos
O primeiro dia, Sagrado
Onde tudo seria o vislumbre de uma nova realidade.
E se repete a vida até o próximo Sábado...
Nem doce, nem amargo, domingo adormece o passado.
Barulhos dispersos
Balança o humor entre deprimido e esperançoso
As crianças brincam
tudo sem intensidade
Os desejo calados de sábado
a certeza da semana que começa
Nenhuma pressa
Dormingo
Almoço especial
Silêncio sob chuva
barulho dos dentes estilhaçando uvas
Tudo se ouve por dentro
tal a quietude
Esperança que renasce ou tédio que finge descanso
Parques lotados
Rostos mansos
ressaquiados
Até o ódio aguarda o dia mais agitado
para manifestar-se
Domingo é música que não se dança
Ou Samba que disfarça o dia
Leitura embaixo de cobertas
Abraço para quem tem frio
Solidão para quem tem saudade
Encontro para os queridos, com palavras francas ou pelas metades
Sorrisos largos e repetidos
O primeiro dia, Sagrado
Onde tudo seria o vislumbre de uma nova realidade.
E se repete a vida até o próximo Sábado...
Nem doce, nem amargo, domingo adormece o passado.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
E agora Café?
E agora Café?
O sono acabou,
A água faltou
todo mundo dormiu
o barulho cessou
pés frios no chão
e a vida de pernas pro ar
E agora Café?
A memória falhou
O coração desacelerou
A angústia voltou
O sol esfriou
seu borro na chávena não sei decifrar....
E agora Café?
Como fica a noite virada,
O dia de amanhã sem cara de cansada
Café, isso não é piada...
Você me tira e não devolve
É café, não és boa companhia
Você me anima, agita, abre meu apetite depois esfria....
Me vicia, me inerva, e se faz ausente quando já não tenho mais ao que recorrer
Café, você é Amargo!!!
O sono acabou,
A água faltou
todo mundo dormiu
o barulho cessou
pés frios no chão
e a vida de pernas pro ar
E agora Café?
A memória falhou
O coração desacelerou
A angústia voltou
O sol esfriou
seu borro na chávena não sei decifrar....
E agora Café?
Como fica a noite virada,
O dia de amanhã sem cara de cansada
Café, isso não é piada...
Você me tira e não devolve
É café, não és boa companhia
Você me anima, agita, abre meu apetite depois esfria....
Me vicia, me inerva, e se faz ausente quando já não tenho mais ao que recorrer
Café, você é Amargo!!!
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
A visceralidade
Pediram-me para ser leve
Por isso tomei a pena
Mas minha mão pesada
Forçou-a contra o papel
deixou borrões, projeções de meus conteúdos que latem
Furou os pontos, rasgou vírgulas, tatuou palavras, sangrou rimas
até ficarem caladas as vísceras
Para quem não entende de sublimação
Foi apenas minha agressividade, descontrole, invasão, ebriedade
Para quem entende de vida, foi a minha pulsação
Desejo, intensidade, emoção, fui eu em verdade...
A leveza prometida habitou minha face
No poema a ferida
Aqui dentro a sanidade.
Por isso tomei a pena
Mas minha mão pesada
Forçou-a contra o papel
deixou borrões, projeções de meus conteúdos que latem
Furou os pontos, rasgou vírgulas, tatuou palavras, sangrou rimas
até ficarem caladas as vísceras
Para quem não entende de sublimação
Foi apenas minha agressividade, descontrole, invasão, ebriedade
Para quem entende de vida, foi a minha pulsação
Desejo, intensidade, emoção, fui eu em verdade...
A leveza prometida habitou minha face
No poema a ferida
Aqui dentro a sanidade.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Dirce, quem te disse?
Dirce me disse para deixar as portas trancadas
porque ali onde a gente morava não poderia ninguém mais entrar
Ela falava como se da sua boca saíssem lágrimas
Estava cansada...queria sonhar
Disse que as pessoas não mediam esforços para destruir os lares
que os inconsequentes estavam soltos, a vontade
que a verdade permanecia encarcerada
e que ninguém se percebia inteiro
as metades sufocantes andavam pelas casas solicitando pedaços
despedaçavam os completos, os repletos, os amados, os laços
Dirce não queria que eu fosse embora
Mas eu disse a ela que não tinha medo de encarar os fatos
E o fato é que me disseram que alguém outro disse que Dirce estava infeliz
e eu precisava dar o primeiro passo
descalço saí pelo asfalto
imundo e exausto, deitei-me num banco de praça, foi quando achei graça
crianças brincavam como se o mundo não fosse se acabar
Violetas plantadas por idosos esperançavam um futuro para qualquer um
Pensei em contar para Dirce mas ela só enxergava o monótono desatino de repetir
Acha-se segura assim, aguardando a morte
Só conversava consigo, com entidades, com energias, com espíritos
Mas o diálogo com os vivos era des-animado
a sua descrença no agora não condizia com sua crença na posteridade
Habitar as ruas foi o melhor destino para alguém encarcerado
Ouvi dizer que Dirce anda dizendo que agora que parti ela voltou a sorrir, está até mesmo gostando da humanidade
Fiz-lhe um bem, então...de não alimentar seu desejo algoz de matar-me todas as vontades
O bem que me fiz meus olhos contam...
Um bem de liberdade!
porque ali onde a gente morava não poderia ninguém mais entrar
Ela falava como se da sua boca saíssem lágrimas
Estava cansada...queria sonhar
Disse que as pessoas não mediam esforços para destruir os lares
que os inconsequentes estavam soltos, a vontade
que a verdade permanecia encarcerada
e que ninguém se percebia inteiro
as metades sufocantes andavam pelas casas solicitando pedaços
despedaçavam os completos, os repletos, os amados, os laços
Dirce não queria que eu fosse embora
Mas eu disse a ela que não tinha medo de encarar os fatos
E o fato é que me disseram que alguém outro disse que Dirce estava infeliz
e eu precisava dar o primeiro passo
descalço saí pelo asfalto
imundo e exausto, deitei-me num banco de praça, foi quando achei graça
crianças brincavam como se o mundo não fosse se acabar
Violetas plantadas por idosos esperançavam um futuro para qualquer um
Pensei em contar para Dirce mas ela só enxergava o monótono desatino de repetir
Acha-se segura assim, aguardando a morte
Só conversava consigo, com entidades, com energias, com espíritos
Mas o diálogo com os vivos era des-animado
a sua descrença no agora não condizia com sua crença na posteridade
Habitar as ruas foi o melhor destino para alguém encarcerado
Ouvi dizer que Dirce anda dizendo que agora que parti ela voltou a sorrir, está até mesmo gostando da humanidade
Fiz-lhe um bem, então...de não alimentar seu desejo algoz de matar-me todas as vontades
O bem que me fiz meus olhos contam...
Um bem de liberdade!
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
O ódio e a borbololeta
Não me importa seu olhar cheio de sangue
Sua raiva projetada
Eu não sou tela branca, tenho cor
Tenho voz, mesmo calada
Suas flechas estão apontadas para ti
suas armas te ferem porque você as carrega consigo
Sigo ilesa, refletindo, me perguntando se o tiro é de bala, ou de gelatina?
Ainda tenho um ar risonho de menina
Sou ingênua, sou pequena, sou rainha
As mulheres maduras e que não brincam, nunca serão coroadas
Esbofeteadas pela vida, pelos ressentimentos, pelas decepções
perderam a princesa, a futura imperatriz, que trilha glorioso caminho até si...
esqueçam o príncipe, estamos falando do feminino, das borboletas...
Metamorfoseada em seu casulo
depois de limpeza íntima
despe-se a princesa de armaduras de Joana
a parte mais forte está por dentro. Por fora, pele permeável que dialoga...
Se você não consegue sentir minha força, não me azucrine com suas lanças e palavras bruscas
Incomoda ser suave, eu sei
meu casco não faz barulho, minha pele mostra marcas, meu olhar não tem orgulho
o rancor não me alivia
sou desprendida de armadilhas....eu não sei jogar, só piquenique...
Tenho voracidade no calor, e tranquilidade na chuva, alterno em mim, inverno, inferno, céu, primaveras....as minhas feras não estão presas, mas estão sem presas....elas não engolem...lambem
Cometo atos impensados, e estes, vivem no passado...
Adoro o tempo, e seu milagroso unguento, pomada que cicatriza...
Não sou alvo para tua mira...
Minha escolha é ser passiva na tua briga solitária
E ativa na minha oferta solidária de trégua...
Finalizando minha reza
Deixo a teu cargo aquilo que enxergas!
E devolvo as suas balas perdidas, prefiro chocolate, e elas não sabiam o que faziam, estavam atordoadas!!
Causo impacto como uma bomba no mar, para fazer barulho e onda
Borboleta que sabe surfar e chegar a praia de asas coladas, que irão se secar...
Que assim sempre seja!!
Sua raiva projetada
Eu não sou tela branca, tenho cor
Tenho voz, mesmo calada
Suas flechas estão apontadas para ti
suas armas te ferem porque você as carrega consigo
Sigo ilesa, refletindo, me perguntando se o tiro é de bala, ou de gelatina?
Ainda tenho um ar risonho de menina
Sou ingênua, sou pequena, sou rainha
As mulheres maduras e que não brincam, nunca serão coroadas
Esbofeteadas pela vida, pelos ressentimentos, pelas decepções
perderam a princesa, a futura imperatriz, que trilha glorioso caminho até si...
esqueçam o príncipe, estamos falando do feminino, das borboletas...
Metamorfoseada em seu casulo
depois de limpeza íntima
despe-se a princesa de armaduras de Joana
a parte mais forte está por dentro. Por fora, pele permeável que dialoga...
Se você não consegue sentir minha força, não me azucrine com suas lanças e palavras bruscas
Incomoda ser suave, eu sei
meu casco não faz barulho, minha pele mostra marcas, meu olhar não tem orgulho
o rancor não me alivia
sou desprendida de armadilhas....eu não sei jogar, só piquenique...
Tenho voracidade no calor, e tranquilidade na chuva, alterno em mim, inverno, inferno, céu, primaveras....as minhas feras não estão presas, mas estão sem presas....elas não engolem...lambem
Cometo atos impensados, e estes, vivem no passado...
Adoro o tempo, e seu milagroso unguento, pomada que cicatriza...
Não sou alvo para tua mira...
Minha escolha é ser passiva na tua briga solitária
E ativa na minha oferta solidária de trégua...
Finalizando minha reza
Deixo a teu cargo aquilo que enxergas!
E devolvo as suas balas perdidas, prefiro chocolate, e elas não sabiam o que faziam, estavam atordoadas!!
Causo impacto como uma bomba no mar, para fazer barulho e onda
Borboleta que sabe surfar e chegar a praia de asas coladas, que irão se secar...
Que assim sempre seja!!
Das mulheres que já fui, e das mulheres com quem esbarrei e que me emprestaram seus segredos, a que eu mais gosto é a de agora. Sem medos e protegida pela força centrípeta do próprio self... Com o coração claro e forte e o corpo frágil e sedutor, tem todo poder nos olhos e dentes...e nas mãos e lábios amor.
No seio abraço e alimento quente, nas coxas torneadas um tridente que prende e larga....
O que sou agora me surpreende, porque não depende de nada, já era devir quando eu sequer era pensada.
Destino meu, és meu encargo de agora. Não sobredeterminada por um eu soberano, mas inserida na selva multifacetada certa de que meu gesto e palavra farão clarão na mata.
Destino meu, és meu encargo de agora. Não sobredeterminada por um eu soberano, mas inserida na selva multifacetada certa de que meu gesto e palavra farão clarão na mata.
Poema insubmisso
Não deixarei de ser quem eu sou
E nem você, de ser o que é
Mudaremos
Cresceremos
Abrigaremos novos segredos e novos despertares...
Mudaremos o olhar
O jeito de fazer a cena
Mas seremos ainda protagonistas
Com personagens novos, eu espero
O Fato, é que não me ser me adoece
E saber que você não se é me entristece
Tudo se torna muito nebuloso, falso, como se andássemos numa superfície de gelo
Prestes a se quebrar
Eu não quero me afogar debaixo de uma crosta de vidro assistindo seu desespero em me salvar
De que?
Dos nossos pedidos supérfluos de satisfação?
Eu não quero satisfazer seu desejo, quero que deseje isso que sou
E sou isso
Aquilo
Aquilo outro
Espontâneo
Solto
Livre
Insubmisso
Nem isso, nem aquilo outro
Que te prometi, ou que me pediste...
As estações do ano quando são idênticas indicam catástrofe
O contraste é também importante
Então me permita, aliás, se permita
Ser apenas o que somos
E pronto
Estamos quites...
Viveremos sonhos de nosso próprio palpite
Se calhar, eles se atravessam
E nem você, de ser o que é
Mudaremos
Cresceremos
Abrigaremos novos segredos e novos despertares...
Mudaremos o olhar
O jeito de fazer a cena
Mas seremos ainda protagonistas
Com personagens novos, eu espero
O Fato, é que não me ser me adoece
E saber que você não se é me entristece
Tudo se torna muito nebuloso, falso, como se andássemos numa superfície de gelo
Prestes a se quebrar
Eu não quero me afogar debaixo de uma crosta de vidro assistindo seu desespero em me salvar
De que?
Dos nossos pedidos supérfluos de satisfação?
Eu não quero satisfazer seu desejo, quero que deseje isso que sou
E sou isso
Aquilo
Aquilo outro
Espontâneo
Solto
Livre
Insubmisso
Nem isso, nem aquilo outro
Que te prometi, ou que me pediste...
As estações do ano quando são idênticas indicam catástrofe
O contraste é também importante
Então me permita, aliás, se permita
Ser apenas o que somos
E pronto
Estamos quites...
Viveremos sonhos de nosso próprio palpite
Se calhar, eles se atravessam
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Varizes, TPM e coisas afins
Inflada de dores
Esvazio o peito: estou de saco bem cheio!!!
Distribuo as dores sem remorsos
Quem se aproxima eu calço
piso o dedo machucado
Avisei que hoje não
Estou amuada
Grito e não é da alma, é da casca
Que o superficial me inerva
e a covardia me deixa farta
Vá e vê se "se cata"
Cuida dos teus restos
Faça de ti um humano quem sabe, ou coisa que o valha
Mas não me aperreie
Que estou fechada, armada até os dentes
e contaminada pelo pessimismo da TPM.
Esvazio o peito: estou de saco bem cheio!!!
Distribuo as dores sem remorsos
Quem se aproxima eu calço
piso o dedo machucado
Avisei que hoje não
Estou amuada
Grito e não é da alma, é da casca
Que o superficial me inerva
e a covardia me deixa farta
Vá e vê se "se cata"
Cuida dos teus restos
Faça de ti um humano quem sabe, ou coisa que o valha
Mas não me aperreie
Que estou fechada, armada até os dentes
e contaminada pelo pessimismo da TPM.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Paisagem ou Retrato?
Em pé é retrato
Olho e reconheço os traços
Dou nome
A mão
Mudo a luz
Emolduro
Encaro...
Esqueço, relembro, guardo, perco...
Deitado é paisagem
Sobreabraço
Massageio
Admiro
Horizonto-me
Deito sobre os ombros
Adormeço
Visão panorâmica que me habita
Sem imitações, parece viva quando está tão quieta
Choro ao pé do leito
Se de pé não fica
A lembrança é fotografia...
Retrato ou paisagem
Tirada pela experiência do encontro
E pela despedida do exato momento
Serve como ungüento a saudade
Esse filme não revelado.
Olho e reconheço os traços
Dou nome
A mão
Mudo a luz
Emolduro
Encaro...
Esqueço, relembro, guardo, perco...
Deitado é paisagem
Sobreabraço
Massageio
Admiro
Horizonto-me
Deito sobre os ombros
Adormeço
Visão panorâmica que me habita
Sem imitações, parece viva quando está tão quieta
Choro ao pé do leito
Se de pé não fica
A lembrança é fotografia...
Retrato ou paisagem
Tirada pela experiência do encontro
E pela despedida do exato momento
Serve como ungüento a saudade
Esse filme não revelado.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
A justa desmedida
Quero ver quem ousa me contar em em metros
Eu transbordo
Fervo
Me inervo
Eu ser humano
Quem ousa me dizer que eu contradito
Pra mim, sou regra
E se me falam que o humano é tosco, ogro, tranqueira, merda
Não me identifico
Entristeço, estupefata e envergonhada
Por quem não se reconhece no dedo que aponta
Quem ousa me tolir, achar que não estou pronta
Sequer sabe que fui, voltei, e ainda lhe emprestei dinheiro pra passagem.
Passe bem...e ouse mais que a mesma metade.
Inteiro e sem vaidade talvez não veja reflexo onde havia novidade.
Eu transbordo
Fervo
Me inervo
Eu ser humano
Quem ousa me dizer que eu contradito
Pra mim, sou regra
E se me falam que o humano é tosco, ogro, tranqueira, merda
Não me identifico
Entristeço, estupefata e envergonhada
Por quem não se reconhece no dedo que aponta
Quem ousa me tolir, achar que não estou pronta
Sequer sabe que fui, voltei, e ainda lhe emprestei dinheiro pra passagem.
Passe bem...e ouse mais que a mesma metade.
Inteiro e sem vaidade talvez não veja reflexo onde havia novidade.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Reparação
Reparar quando faltou, ou quando passou da conta
Para o primeiro se doar
Para o segundo se ausentar
Quando se apronta
Se desculpar, consertar, não mexer mais
Reparar quando não cumpriu o combinado
Assumindo ....
Parar e olhar, parar de novo
Arrumar o quarto
Construir um cômodo
Decorar um canto
Inventar um cenário
Reparar quando errou a fala
Reler o texto, ensaiar, dar a deixa
Deixar pra lá
Quando feriu, julgou, banhou com ódio a jóia do amor
Limpar, orar, perdoar, colar....
Recolher os próprios estilhaços
Dar por perdido o momento exato em que podia ter parado
Re-parar
Voltar no tempo, rever os fatos
Aprender e se poupar
De tanta culpa em seus atos....aumentar o espetáculo
Propondo um segundo Ato!!!
domingo, 3 de agosto de 2014
De tempos em tempos, um astro desbota
Penso em quem pede para que se dê tempo ao tempo
Como se o tempo precisasse das minhas horas...
O que o tempo precisa é de exercitar sua roda
sem empecilhos
O humano que se vire
para agarrar os segundos
para se achar nos momentos
para se sentir nas horas
que não voltam...
O tempo é respiro, ele não atropela, ele não corre
O tempo não morre, nem mesmo socorre
A gente tenta fazer o tempo, organizar, aproveitar....
Enquanto o tempo ensina a rodar, repetir, desmentir, mudar, envelhecer, recomeçar...
Ninguém perde o tempo....se perde no tempo
É arrastado pelo giro que faz para frente e não para trás...
e ele vai....vai....vai...parado como um furo no espaço....
Sem sol, sem lua, não há guia, não há dia, nem calendário
o tempo é lendário
Como dar tempo ao que não tem horário....eu que não tenho forças para rodar ao contrário
Dou ação, silêncio
escritos, feitos, filhos, células ....minha mortalidade de flor
Murchando aos poucos
Dar tempo ao tempo, é deixar-se morrer lento algo que em algum momento brotou....
ele traz, ele mata....
Muda em cambalhota o que se submete ao brilho dos astros.
Como se o tempo precisasse das minhas horas...
O que o tempo precisa é de exercitar sua roda
sem empecilhos
O humano que se vire
para agarrar os segundos
para se achar nos momentos
para se sentir nas horas
que não voltam...
O tempo é respiro, ele não atropela, ele não corre
O tempo não morre, nem mesmo socorre
A gente tenta fazer o tempo, organizar, aproveitar....
Enquanto o tempo ensina a rodar, repetir, desmentir, mudar, envelhecer, recomeçar...
Ninguém perde o tempo....se perde no tempo
É arrastado pelo giro que faz para frente e não para trás...
e ele vai....vai....vai...parado como um furo no espaço....
Sem sol, sem lua, não há guia, não há dia, nem calendário
o tempo é lendário
Como dar tempo ao que não tem horário....eu que não tenho forças para rodar ao contrário
Dou ação, silêncio
escritos, feitos, filhos, células ....minha mortalidade de flor
Murchando aos poucos
Dar tempo ao tempo, é deixar-se morrer lento algo que em algum momento brotou....
ele traz, ele mata....
Muda em cambalhota o que se submete ao brilho dos astros.
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Livre
De coisas mal ditas
De palavras erradas
De alfinetes voodoos
De bocas cerradas
De mentiras deslavadas
De dúvidas inventadas
De felicidades forjadas
Livre de azeitonas na faringe
De respiração acelerada
De falta de ar
De saladas destemperadas
De fardas roubadas
De tiros falsos e gatilhos puxados
Livre de encanto
De saudades
De cidade panóptica
De diferentes brigas ilógicas
De imagens amorfas
De perguntas inóbvias
Dos obtusos
Dos agudos
De qualquer cilada
De jogos...de cartas
De destino
Livre
Arbítrio!!!
De palavras erradas
De alfinetes voodoos
De bocas cerradas
De mentiras deslavadas
De dúvidas inventadas
De felicidades forjadas
Livre de azeitonas na faringe
De respiração acelerada
De falta de ar
De saladas destemperadas
De fardas roubadas
De tiros falsos e gatilhos puxados
Livre de encanto
De saudades
De cidade panóptica
De diferentes brigas ilógicas
De imagens amorfas
De perguntas inóbvias
Dos obtusos
Dos agudos
De qualquer cilada
De jogos...de cartas
De destino
Livre
Arbítrio!!!
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Finjo mal
Faço de conta
Mas as batidas geraram um calo
Fiquei emudecida
a fingir gozar a vida
Enquanto ela goza de mim
Sem nenhuma valentia
ponho-me a escrever poesias
disfarçando a dor lancinante
encolhida
faço de conta que é frio
Finjo mal como digo
quanto mais calejada fico
mais aparente nos meus olhos
a falta de brilho.
Faço de conta
Mas as batidas geraram um calo
Fiquei emudecida
a fingir gozar a vida
Enquanto ela goza de mim
Sem nenhuma valentia
ponho-me a escrever poesias
disfarçando a dor lancinante
encolhida
faço de conta que é frio
Finjo mal como digo
quanto mais calejada fico
mais aparente nos meus olhos
a falta de brilho.
terça-feira, 29 de julho de 2014
Receituário
Para toda da moléstia, seu cuidadoPara males do fígado, boldo
Calunga, dieta
Para pele púbere
Mel, flores brancas e kefir
Se é desejo que infesta
Realização, arte, sexo, paixão, criatividade
Para carne viva, qualquer ferida
unguento, bálsamo, methiolate, veneno de cobra
beijo doce, repouso, banho, faixa e sabão de coco
Para estômago doendo
respiração, batata crua, calma, meditação, mamão e água
Para mágoa
Perdão, tempo, abraço, mão
Para solidão
Companhia, cinema, pipoca, poesia, risada, café, cozinha, massagens nos pés
Receita para o medo,
não manter segredo, análise, sacanagem, ervas, infusões
Para falta de grana
Gratidão, trabalho, ânimo, economia, retenção e simplicidade
Para pessoas pela metade
Laranja e enxerto, autoconhecimento e brinquedos, transicionalidade
Para burrice
Tolerância, leitura, rodar o mundo, ouvir, falar, calar, sabedoria
Intensa Tagarelice?
Risada e tapa ouvidos, show de rock ou um bom amigo
Aguda crise de ansiedade?
Tortas a vontade, cigarro, mato, cachoeira, cerveja, reza brava, esporte e um grito forte
Em casos de dor de cotovelo
recomendo travesseiro a prova d´água, tarot, vidência, novo amor, espelho, palavras, saudade
Quando é morte
A fé no depois
Para a falta de fé
Piedade.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Sussurrando
A pessoa
que esquece a importância de outra
enriquece a sua própria ignorância
torna-se mais humana
esta espécie que devasta
que em seu ego se apóia
A pessoa que decide, por orgulho, covardia, ou por autopreservação
fazer invisível a outra que suplica
é pessoa solitária que se resguarda de sua própria maldição
não-ser, não se saber, viver em peleja olhando a própria mão
vazia, inútil, cavando em vida a cova onde será esquecida.
que esquece a importância de outra
enriquece a sua própria ignorância
torna-se mais humana
esta espécie que devasta
que em seu ego se apóia
A pessoa que decide, por orgulho, covardia, ou por autopreservação
fazer invisível a outra que suplica
é pessoa solitária que se resguarda de sua própria maldição
não-ser, não se saber, viver em peleja olhando a própria mão
vazia, inútil, cavando em vida a cova onde será esquecida.
sábado, 26 de julho de 2014
Subversão
Hoje eu não tenho nada a lhe dizer
Estou no verso
No meu avesso
Submersa num mundo de imagens e sentimentos tão íntimos
Que nem a poesia pode captar
Me sinto capturada por mim
Por essa culpa da qual não consigo me redimir
O pior é não saber ao certo o que fiz de errado
Mas algo aconteceu e eu acho que são as promessas
As que fiz para mim
As que não cumpri
E as promessas nas quais eu quis acreditar porque me aliviavam da solidão
Que bem sei
Será eterna
Nosso desejo de união com o todo, esse desejo místico
É uma ilusão deliciosa
Tudo acabaria bem, diluídos em algo tão divino
Essa individualidade que divide as coisas, pessoas, que separa
Teria um fim...
Eu daria adeus a esses pronomes
E me esqueceria do que tenho a dizer
Apesar de não haver nada
Nada que eu diga
Que possa ser escutado.
Estou no verso
No meu avesso
Submersa num mundo de imagens e sentimentos tão íntimos
Que nem a poesia pode captar
Me sinto capturada por mim
Por essa culpa da qual não consigo me redimir
O pior é não saber ao certo o que fiz de errado
Mas algo aconteceu e eu acho que são as promessas
As que fiz para mim
As que não cumpri
E as promessas nas quais eu quis acreditar porque me aliviavam da solidão
Que bem sei
Será eterna
Nosso desejo de união com o todo, esse desejo místico
É uma ilusão deliciosa
Tudo acabaria bem, diluídos em algo tão divino
Essa individualidade que divide as coisas, pessoas, que separa
Teria um fim...
Eu daria adeus a esses pronomes
E me esqueceria do que tenho a dizer
Apesar de não haver nada
Nada que eu diga
Que possa ser escutado.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Hóspede
Avisei que demoraria
Que depois de tirar o sono, a fome, as ideias
Daria uma passada nas suas piores memórias e ressucitaria suas inseguranças
Reanimaria as lembranças daquilo que já não volta
Deixaria morta sua esperança, por sufocamento...
Eu não tenho pressa, prefiro o sofrimento lento
E não tenho hora para partir
Afinal sou vazio, tão vazio, que sem esta queda emocionante tudo seria um tédio
Ah..não chore, grite, berre, urre, invoque bons pensamentos
Aqueles que te fazem sentir ainda mais idiota
Ainda vou dizer muita lorota, encher sua cabeça
Interferir nos seus poemas, nas suas teses sobre a vida
Cutucarei ferida por ferida
Beberei chá com suas lágrimas...
E da rede balançando como um domingo solitário
Entoarei aquelas músicas, aquelas, que sangram
Estará tão exausto que sequer tapará os ouvidos
Rendido você me dirá para ficar, eu que nem estava mesmo de passagem
Trouxe toda minha bagagem
Pesada, bem pesada
Pensa bem...
Você poderá me culpar de todos os seus fracassos
Você pode perecer, e todos estarão penalizados...
Pode lamuriar, gemer, tornar-se insuportável
E confirmará o fato
De que só tem a mim
Sou seu fardo
E você me merece
Afinal é culpado...
Diga-me, qual será o meu quarto?
Que depois de tirar o sono, a fome, as ideias
Daria uma passada nas suas piores memórias e ressucitaria suas inseguranças
Reanimaria as lembranças daquilo que já não volta
Deixaria morta sua esperança, por sufocamento...
Eu não tenho pressa, prefiro o sofrimento lento
E não tenho hora para partir
Afinal sou vazio, tão vazio, que sem esta queda emocionante tudo seria um tédio
Ah..não chore, grite, berre, urre, invoque bons pensamentos
Aqueles que te fazem sentir ainda mais idiota
Ainda vou dizer muita lorota, encher sua cabeça
Interferir nos seus poemas, nas suas teses sobre a vida
Cutucarei ferida por ferida
Beberei chá com suas lágrimas...
E da rede balançando como um domingo solitário
Entoarei aquelas músicas, aquelas, que sangram
Estará tão exausto que sequer tapará os ouvidos
Rendido você me dirá para ficar, eu que nem estava mesmo de passagem
Trouxe toda minha bagagem
Pesada, bem pesada
Pensa bem...
Você poderá me culpar de todos os seus fracassos
Você pode perecer, e todos estarão penalizados...
Pode lamuriar, gemer, tornar-se insuportável
E confirmará o fato
De que só tem a mim
Sou seu fardo
E você me merece
Afinal é culpado...
Diga-me, qual será o meu quarto?
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Me desagrada sentir raiva
Sentir ódio
Desejar mal
Planejar uma vingança do tamanho merecido
Imaginar a dor na intensidade da crueldade ofertada
Me desagrada muito querer tanto que se lasque, que se dane
Que vá pro raio que o parta
Acreditar no retorno certo da pedra que foi lançada
Como é ruim esperar a ruína de alguém tão vil
Tão sutil em ferir com leves e constantes alfinetadas
Realmente sórdido e lamentável...
Reconhecer em mim a mesma imunda humanidade ...
Sentir ódio
Desejar mal
Planejar uma vingança do tamanho merecido
Imaginar a dor na intensidade da crueldade ofertada
Me desagrada muito querer tanto que se lasque, que se dane
Que vá pro raio que o parta
Acreditar no retorno certo da pedra que foi lançada
Como é ruim esperar a ruína de alguém tão vil
Tão sutil em ferir com leves e constantes alfinetadas
Realmente sórdido e lamentável...
Reconhecer em mim a mesma imunda humanidade ...
terça-feira, 22 de julho de 2014
De mãos : nada
Minha voz não é leve
não há quem releve qualquer coisa que eu diga
minha palavra é afiada
espada manchada, tingida, ungida...
Penetra
Como os dedos afinados na dança molhada dos corpos
Como a língua nos copos
Como o vinho na taça
Não há nada que eu faça
Que seja farsa
Se eu digo isso, acredito não ser aquilo
Se mudo de ideia
Tenho plateia, e prejuízo
Não, minha voz não é leve
Não há quem negue
O que eu digo não vem do umbigo
Mas o acerta em cheio
Como um tridente enferrujado
como machado
arranca-te do lugar comum, lugar cômodo, apropriado
e coloca-te não adiante, mas ao meu lado
um lado errado, negado....
solitáaario
um lado aleijado.
não há quem releve qualquer coisa que eu diga
minha palavra é afiada
espada manchada, tingida, ungida...
Penetra
Como os dedos afinados na dança molhada dos corpos
Como a língua nos copos
Como o vinho na taça
Não há nada que eu faça
Que seja farsa
Se eu digo isso, acredito não ser aquilo
Se mudo de ideia
Tenho plateia, e prejuízo
Não, minha voz não é leve
Não há quem negue
O que eu digo não vem do umbigo
Mas o acerta em cheio
Como um tridente enferrujado
como machado
arranca-te do lugar comum, lugar cômodo, apropriado
e coloca-te não adiante, mas ao meu lado
um lado errado, negado....
solitáaario
um lado aleijado.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Poesia Pequena
Não importa o tamanho da palavra
desde que seja pequena
sem pretensões
que geste sentidos modestos
como os sentimentos do mundo e os segredos do universo...
desde que seja pequena
sem pretensões
que geste sentidos modestos
como os sentimentos do mundo e os segredos do universo...
O canteiro
Sinta o meu coração
_ela disse
E a mão
pulsou junto de seu peito intimidada
Quanta covardia!
A grande dúvida_
eu dizia.
Ir, vir, manter, repetir.
Ela chamou isso de apego ao tradicional, depois de fuga, depois
de comodismo.
Desde o início
tudo era um cair no abismo.
Quem notaria?! Não
eu, habituado ao sofrimento de minha melancolia.
Ela dizia: acalma seu coração,
está tudo bem,
o mundo se ajeitara para ficarmos juntos.
Enquanto eu me desesperava com qualquer movimento de rotação da terra.
Se o sol se escondia não
podia vê-la,
se nascia, não
poderia escondê-la.
As paixões
escancaradas morrem abafadas, sufocadas por um travesseiro de penas, duras
Ela disse que iria comigo para outro país, outro estado, outra cidade.
Depois disse que não
sairia do lugar enquanto não
encontrasse serenidade.
Depois não
disse mais nada
Depois desapareceu.
Depois.
Nada.
Como a morte.
E não
tinha terra para enterrá-la.
Eu só tinha
sonhos, só voava...
Enquanto na minha mão
seu coração
parava, eu tentava reanimar sem sucesso qualquer afeto.
Ela se defendia, com rudes palavras, com frases prontas
compradas numa loja de congelados.
E disse que eu não
amava, que estava enganado, que estar ao meu lado era pesado....
Senti-me um fardo.
Mas não
farto.
Fui até
o fim.
Implorei que ressuscitasse, pedi perdão, xinguei, recontei-lhe os nossos
passos
Ela me ignorou
Até eu
teria me ignorado.
Disse estar tudo mais que acabado.
Me despedi, despedaçado,
não antes de
maldizer-lhe com des-descaso.
Abri no chão
em que caí, um
pequeno buraco.
Lá escondi a memória, o
não vivido, o abafado.
Um dia,
uma flor, quem sabe, renasça
Sonhei esta noite que eu juntava poeira em montinhos varridos
em cada cômodo um pequeno monte
depois com a pá coletava cada parte...
Sei bem o que estou limpando e jogando no lixo,
só não sabia estar tão espalhado por toda parte, tomando conta...
um montinho eu deixei escorado na parede da copa...não consegui ir até o fim com aquele descarte de pó
Vocês sabem que até mesmo a sujeira tem um significado importante...
tinha que ficar ali, para que eu olhasse e me lembrasse bem do porquê de precisar livrar-me daquilo tudo
Depois você me apareceu em sonho, mostrou-me fotos de uma nova vida, mostrou-se alegre, feliz...
Nós sabemos bem porque tudo parecia tão bonito e limpo no sonho...
Acho que o vendaval trouxe a vermelhidão da terra aqui, para mim...
e por isso estou tão gripada, rouca, com a garganta dolorida...
Legou a mim o que era expurgo e saiu em paz, com que lhe dei de bom...
Eles imaginam do que estamos dizendo, e recolherão também seus montinhos escondidos, seus amontoados descartáveis...
Poeira não é reciclável te lembro...voa, elameia, mancha, adoece....mas nada de novo escreve.
em cada cômodo um pequeno monte
depois com a pá coletava cada parte...
Sei bem o que estou limpando e jogando no lixo,
só não sabia estar tão espalhado por toda parte, tomando conta...
um montinho eu deixei escorado na parede da copa...não consegui ir até o fim com aquele descarte de pó
Vocês sabem que até mesmo a sujeira tem um significado importante...
tinha que ficar ali, para que eu olhasse e me lembrasse bem do porquê de precisar livrar-me daquilo tudo
Depois você me apareceu em sonho, mostrou-me fotos de uma nova vida, mostrou-se alegre, feliz...
Nós sabemos bem porque tudo parecia tão bonito e limpo no sonho...
Acho que o vendaval trouxe a vermelhidão da terra aqui, para mim...
e por isso estou tão gripada, rouca, com a garganta dolorida...
Legou a mim o que era expurgo e saiu em paz, com que lhe dei de bom...
Eles imaginam do que estamos dizendo, e recolherão também seus montinhos escondidos, seus amontoados descartáveis...
Poeira não é reciclável te lembro...voa, elameia, mancha, adoece....mas nada de novo escreve.
domingo, 20 de julho de 2014
Abertura....pra dentro pra fora
Meu nome não é Fernanda Nocam, sou Nogueira Campos, não sou poetiza, sou atriz e professora de psicologia, não acerto as palavras numa primeira tentativa, eu erro as palavras nas primeiras e segundas e terceiras linhas...
Eu não tenho o costume de escrever, a caneta é que faz-me o convite de conversa....
Se alguém se interessar que se meta comigo, sim, invada este espaço, grite seu pranto ou sua alegria, sua paixão ou mágoa, seu pensamento em palavra....mesmo que não seja poesia.
Não vale técnica, não aceito razão, só a brutalidade das vísceras expostas...
Estamos combinados?
Eu não tenho o costume de escrever, a caneta é que faz-me o convite de conversa....
Se alguém se interessar que se meta comigo, sim, invada este espaço, grite seu pranto ou sua alegria, sua paixão ou mágoa, seu pensamento em palavra....mesmo que não seja poesia.
Não vale técnica, não aceito razão, só a brutalidade das vísceras expostas...
Estamos combinados?
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