Sinta o meu coração
_ela disse
E a mão
pulsou junto de seu peito intimidada
Quanta covardia!
A grande dúvida_
eu dizia.
Ir, vir, manter, repetir.
Ela chamou isso de apego ao tradicional, depois de fuga, depois
de comodismo.
Desde o início
tudo era um cair no abismo.
Quem notaria?! Não
eu, habituado ao sofrimento de minha melancolia.
Ela dizia: acalma seu coração,
está tudo bem,
o mundo se ajeitara para ficarmos juntos.
Enquanto eu me desesperava com qualquer movimento de rotação da terra.
Se o sol se escondia não
podia vê-la,
se nascia, não
poderia escondê-la.
As paixões
escancaradas morrem abafadas, sufocadas por um travesseiro de penas, duras
Ela disse que iria comigo para outro país, outro estado, outra cidade.
Depois disse que não
sairia do lugar enquanto não
encontrasse serenidade.
Depois não
disse mais nada
Depois desapareceu.
Depois.
Nada.
Como a morte.
E não
tinha terra para enterrá-la.
Eu só tinha
sonhos, só voava...
Enquanto na minha mão
seu coração
parava, eu tentava reanimar sem sucesso qualquer afeto.
Ela se defendia, com rudes palavras, com frases prontas
compradas numa loja de congelados.
E disse que eu não
amava, que estava enganado, que estar ao meu lado era pesado....
Senti-me um fardo.
Mas não
farto.
Fui até
o fim.
Implorei que ressuscitasse, pedi perdão, xinguei, recontei-lhe os nossos
passos
Ela me ignorou
Até eu
teria me ignorado.
Disse estar tudo mais que acabado.
Me despedi, despedaçado,
não antes de
maldizer-lhe com des-descaso.
Abri no chão
em que caí, um
pequeno buraco.
Lá escondi a memória, o
não vivido, o abafado.
Um dia,
uma flor, quem sabe, renasça
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