Avisei que demoraria
Que depois de tirar o sono, a fome, as ideias
Daria uma passada nas suas piores memórias e ressucitaria suas inseguranças
Reanimaria as lembranças daquilo que já não volta
Deixaria morta sua esperança, por sufocamento...
Eu não tenho pressa, prefiro o sofrimento lento
E não tenho hora para partir
Afinal sou vazio, tão vazio, que sem esta queda emocionante tudo seria um tédio
Ah..não chore, grite, berre, urre, invoque bons pensamentos
Aqueles que te fazem sentir ainda mais idiota
Ainda vou dizer muita lorota, encher sua cabeça
Interferir nos seus poemas, nas suas teses sobre a vida
Cutucarei ferida por ferida
Beberei chá com suas lágrimas...
E da rede balançando como um domingo solitário
Entoarei aquelas músicas, aquelas, que sangram
Estará tão exausto que sequer tapará os ouvidos
Rendido você me dirá para ficar, eu que nem estava mesmo de passagem
Trouxe toda minha bagagem
Pesada, bem pesada
Pensa bem...
Você poderá me culpar de todos os seus fracassos
Você pode perecer, e todos estarão penalizados...
Pode lamuriar, gemer, tornar-se insuportável
E confirmará o fato
De que só tem a mim
Sou seu fardo
E você me merece
Afinal é culpado...
Diga-me, qual será o meu quarto?
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