Finjo mal
Faço de conta
Mas as batidas geraram um calo
Fiquei emudecida
a fingir gozar a vida
Enquanto ela goza de mim
Sem nenhuma valentia
ponho-me a escrever poesias
disfarçando a dor lancinante
encolhida
faço de conta que é frio
Finjo mal como digo
quanto mais calejada fico
mais aparente nos meus olhos
a falta de brilho.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
terça-feira, 29 de julho de 2014
Receituário
Para toda da moléstia, seu cuidadoPara males do fígado, boldo
Calunga, dieta
Para pele púbere
Mel, flores brancas e kefir
Se é desejo que infesta
Realização, arte, sexo, paixão, criatividade
Para carne viva, qualquer ferida
unguento, bálsamo, methiolate, veneno de cobra
beijo doce, repouso, banho, faixa e sabão de coco
Para estômago doendo
respiração, batata crua, calma, meditação, mamão e água
Para mágoa
Perdão, tempo, abraço, mão
Para solidão
Companhia, cinema, pipoca, poesia, risada, café, cozinha, massagens nos pés
Receita para o medo,
não manter segredo, análise, sacanagem, ervas, infusões
Para falta de grana
Gratidão, trabalho, ânimo, economia, retenção e simplicidade
Para pessoas pela metade
Laranja e enxerto, autoconhecimento e brinquedos, transicionalidade
Para burrice
Tolerância, leitura, rodar o mundo, ouvir, falar, calar, sabedoria
Intensa Tagarelice?
Risada e tapa ouvidos, show de rock ou um bom amigo
Aguda crise de ansiedade?
Tortas a vontade, cigarro, mato, cachoeira, cerveja, reza brava, esporte e um grito forte
Em casos de dor de cotovelo
recomendo travesseiro a prova d´água, tarot, vidência, novo amor, espelho, palavras, saudade
Quando é morte
A fé no depois
Para a falta de fé
Piedade.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Sussurrando
A pessoa
que esquece a importância de outra
enriquece a sua própria ignorância
torna-se mais humana
esta espécie que devasta
que em seu ego se apóia
A pessoa que decide, por orgulho, covardia, ou por autopreservação
fazer invisível a outra que suplica
é pessoa solitária que se resguarda de sua própria maldição
não-ser, não se saber, viver em peleja olhando a própria mão
vazia, inútil, cavando em vida a cova onde será esquecida.
que esquece a importância de outra
enriquece a sua própria ignorância
torna-se mais humana
esta espécie que devasta
que em seu ego se apóia
A pessoa que decide, por orgulho, covardia, ou por autopreservação
fazer invisível a outra que suplica
é pessoa solitária que se resguarda de sua própria maldição
não-ser, não se saber, viver em peleja olhando a própria mão
vazia, inútil, cavando em vida a cova onde será esquecida.
sábado, 26 de julho de 2014
Subversão
Hoje eu não tenho nada a lhe dizer
Estou no verso
No meu avesso
Submersa num mundo de imagens e sentimentos tão íntimos
Que nem a poesia pode captar
Me sinto capturada por mim
Por essa culpa da qual não consigo me redimir
O pior é não saber ao certo o que fiz de errado
Mas algo aconteceu e eu acho que são as promessas
As que fiz para mim
As que não cumpri
E as promessas nas quais eu quis acreditar porque me aliviavam da solidão
Que bem sei
Será eterna
Nosso desejo de união com o todo, esse desejo místico
É uma ilusão deliciosa
Tudo acabaria bem, diluídos em algo tão divino
Essa individualidade que divide as coisas, pessoas, que separa
Teria um fim...
Eu daria adeus a esses pronomes
E me esqueceria do que tenho a dizer
Apesar de não haver nada
Nada que eu diga
Que possa ser escutado.
Estou no verso
No meu avesso
Submersa num mundo de imagens e sentimentos tão íntimos
Que nem a poesia pode captar
Me sinto capturada por mim
Por essa culpa da qual não consigo me redimir
O pior é não saber ao certo o que fiz de errado
Mas algo aconteceu e eu acho que são as promessas
As que fiz para mim
As que não cumpri
E as promessas nas quais eu quis acreditar porque me aliviavam da solidão
Que bem sei
Será eterna
Nosso desejo de união com o todo, esse desejo místico
É uma ilusão deliciosa
Tudo acabaria bem, diluídos em algo tão divino
Essa individualidade que divide as coisas, pessoas, que separa
Teria um fim...
Eu daria adeus a esses pronomes
E me esqueceria do que tenho a dizer
Apesar de não haver nada
Nada que eu diga
Que possa ser escutado.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Hóspede
Avisei que demoraria
Que depois de tirar o sono, a fome, as ideias
Daria uma passada nas suas piores memórias e ressucitaria suas inseguranças
Reanimaria as lembranças daquilo que já não volta
Deixaria morta sua esperança, por sufocamento...
Eu não tenho pressa, prefiro o sofrimento lento
E não tenho hora para partir
Afinal sou vazio, tão vazio, que sem esta queda emocionante tudo seria um tédio
Ah..não chore, grite, berre, urre, invoque bons pensamentos
Aqueles que te fazem sentir ainda mais idiota
Ainda vou dizer muita lorota, encher sua cabeça
Interferir nos seus poemas, nas suas teses sobre a vida
Cutucarei ferida por ferida
Beberei chá com suas lágrimas...
E da rede balançando como um domingo solitário
Entoarei aquelas músicas, aquelas, que sangram
Estará tão exausto que sequer tapará os ouvidos
Rendido você me dirá para ficar, eu que nem estava mesmo de passagem
Trouxe toda minha bagagem
Pesada, bem pesada
Pensa bem...
Você poderá me culpar de todos os seus fracassos
Você pode perecer, e todos estarão penalizados...
Pode lamuriar, gemer, tornar-se insuportável
E confirmará o fato
De que só tem a mim
Sou seu fardo
E você me merece
Afinal é culpado...
Diga-me, qual será o meu quarto?
Que depois de tirar o sono, a fome, as ideias
Daria uma passada nas suas piores memórias e ressucitaria suas inseguranças
Reanimaria as lembranças daquilo que já não volta
Deixaria morta sua esperança, por sufocamento...
Eu não tenho pressa, prefiro o sofrimento lento
E não tenho hora para partir
Afinal sou vazio, tão vazio, que sem esta queda emocionante tudo seria um tédio
Ah..não chore, grite, berre, urre, invoque bons pensamentos
Aqueles que te fazem sentir ainda mais idiota
Ainda vou dizer muita lorota, encher sua cabeça
Interferir nos seus poemas, nas suas teses sobre a vida
Cutucarei ferida por ferida
Beberei chá com suas lágrimas...
E da rede balançando como um domingo solitário
Entoarei aquelas músicas, aquelas, que sangram
Estará tão exausto que sequer tapará os ouvidos
Rendido você me dirá para ficar, eu que nem estava mesmo de passagem
Trouxe toda minha bagagem
Pesada, bem pesada
Pensa bem...
Você poderá me culpar de todos os seus fracassos
Você pode perecer, e todos estarão penalizados...
Pode lamuriar, gemer, tornar-se insuportável
E confirmará o fato
De que só tem a mim
Sou seu fardo
E você me merece
Afinal é culpado...
Diga-me, qual será o meu quarto?
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Me desagrada sentir raiva
Sentir ódio
Desejar mal
Planejar uma vingança do tamanho merecido
Imaginar a dor na intensidade da crueldade ofertada
Me desagrada muito querer tanto que se lasque, que se dane
Que vá pro raio que o parta
Acreditar no retorno certo da pedra que foi lançada
Como é ruim esperar a ruína de alguém tão vil
Tão sutil em ferir com leves e constantes alfinetadas
Realmente sórdido e lamentável...
Reconhecer em mim a mesma imunda humanidade ...
Sentir ódio
Desejar mal
Planejar uma vingança do tamanho merecido
Imaginar a dor na intensidade da crueldade ofertada
Me desagrada muito querer tanto que se lasque, que se dane
Que vá pro raio que o parta
Acreditar no retorno certo da pedra que foi lançada
Como é ruim esperar a ruína de alguém tão vil
Tão sutil em ferir com leves e constantes alfinetadas
Realmente sórdido e lamentável...
Reconhecer em mim a mesma imunda humanidade ...
terça-feira, 22 de julho de 2014
De mãos : nada
Minha voz não é leve
não há quem releve qualquer coisa que eu diga
minha palavra é afiada
espada manchada, tingida, ungida...
Penetra
Como os dedos afinados na dança molhada dos corpos
Como a língua nos copos
Como o vinho na taça
Não há nada que eu faça
Que seja farsa
Se eu digo isso, acredito não ser aquilo
Se mudo de ideia
Tenho plateia, e prejuízo
Não, minha voz não é leve
Não há quem negue
O que eu digo não vem do umbigo
Mas o acerta em cheio
Como um tridente enferrujado
como machado
arranca-te do lugar comum, lugar cômodo, apropriado
e coloca-te não adiante, mas ao meu lado
um lado errado, negado....
solitáaario
um lado aleijado.
não há quem releve qualquer coisa que eu diga
minha palavra é afiada
espada manchada, tingida, ungida...
Penetra
Como os dedos afinados na dança molhada dos corpos
Como a língua nos copos
Como o vinho na taça
Não há nada que eu faça
Que seja farsa
Se eu digo isso, acredito não ser aquilo
Se mudo de ideia
Tenho plateia, e prejuízo
Não, minha voz não é leve
Não há quem negue
O que eu digo não vem do umbigo
Mas o acerta em cheio
Como um tridente enferrujado
como machado
arranca-te do lugar comum, lugar cômodo, apropriado
e coloca-te não adiante, mas ao meu lado
um lado errado, negado....
solitáaario
um lado aleijado.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Poesia Pequena
Não importa o tamanho da palavra
desde que seja pequena
sem pretensões
que geste sentidos modestos
como os sentimentos do mundo e os segredos do universo...
desde que seja pequena
sem pretensões
que geste sentidos modestos
como os sentimentos do mundo e os segredos do universo...
O canteiro
Sinta o meu coração
_ela disse
E a mão
pulsou junto de seu peito intimidada
Quanta covardia!
A grande dúvida_
eu dizia.
Ir, vir, manter, repetir.
Ela chamou isso de apego ao tradicional, depois de fuga, depois
de comodismo.
Desde o início
tudo era um cair no abismo.
Quem notaria?! Não
eu, habituado ao sofrimento de minha melancolia.
Ela dizia: acalma seu coração,
está tudo bem,
o mundo se ajeitara para ficarmos juntos.
Enquanto eu me desesperava com qualquer movimento de rotação da terra.
Se o sol se escondia não
podia vê-la,
se nascia, não
poderia escondê-la.
As paixões
escancaradas morrem abafadas, sufocadas por um travesseiro de penas, duras
Ela disse que iria comigo para outro país, outro estado, outra cidade.
Depois disse que não
sairia do lugar enquanto não
encontrasse serenidade.
Depois não
disse mais nada
Depois desapareceu.
Depois.
Nada.
Como a morte.
E não
tinha terra para enterrá-la.
Eu só tinha
sonhos, só voava...
Enquanto na minha mão
seu coração
parava, eu tentava reanimar sem sucesso qualquer afeto.
Ela se defendia, com rudes palavras, com frases prontas
compradas numa loja de congelados.
E disse que eu não
amava, que estava enganado, que estar ao meu lado era pesado....
Senti-me um fardo.
Mas não
farto.
Fui até
o fim.
Implorei que ressuscitasse, pedi perdão, xinguei, recontei-lhe os nossos
passos
Ela me ignorou
Até eu
teria me ignorado.
Disse estar tudo mais que acabado.
Me despedi, despedaçado,
não antes de
maldizer-lhe com des-descaso.
Abri no chão
em que caí, um
pequeno buraco.
Lá escondi a memória, o
não vivido, o abafado.
Um dia,
uma flor, quem sabe, renasça
Sonhei esta noite que eu juntava poeira em montinhos varridos
em cada cômodo um pequeno monte
depois com a pá coletava cada parte...
Sei bem o que estou limpando e jogando no lixo,
só não sabia estar tão espalhado por toda parte, tomando conta...
um montinho eu deixei escorado na parede da copa...não consegui ir até o fim com aquele descarte de pó
Vocês sabem que até mesmo a sujeira tem um significado importante...
tinha que ficar ali, para que eu olhasse e me lembrasse bem do porquê de precisar livrar-me daquilo tudo
Depois você me apareceu em sonho, mostrou-me fotos de uma nova vida, mostrou-se alegre, feliz...
Nós sabemos bem porque tudo parecia tão bonito e limpo no sonho...
Acho que o vendaval trouxe a vermelhidão da terra aqui, para mim...
e por isso estou tão gripada, rouca, com a garganta dolorida...
Legou a mim o que era expurgo e saiu em paz, com que lhe dei de bom...
Eles imaginam do que estamos dizendo, e recolherão também seus montinhos escondidos, seus amontoados descartáveis...
Poeira não é reciclável te lembro...voa, elameia, mancha, adoece....mas nada de novo escreve.
em cada cômodo um pequeno monte
depois com a pá coletava cada parte...
Sei bem o que estou limpando e jogando no lixo,
só não sabia estar tão espalhado por toda parte, tomando conta...
um montinho eu deixei escorado na parede da copa...não consegui ir até o fim com aquele descarte de pó
Vocês sabem que até mesmo a sujeira tem um significado importante...
tinha que ficar ali, para que eu olhasse e me lembrasse bem do porquê de precisar livrar-me daquilo tudo
Depois você me apareceu em sonho, mostrou-me fotos de uma nova vida, mostrou-se alegre, feliz...
Nós sabemos bem porque tudo parecia tão bonito e limpo no sonho...
Acho que o vendaval trouxe a vermelhidão da terra aqui, para mim...
e por isso estou tão gripada, rouca, com a garganta dolorida...
Legou a mim o que era expurgo e saiu em paz, com que lhe dei de bom...
Eles imaginam do que estamos dizendo, e recolherão também seus montinhos escondidos, seus amontoados descartáveis...
Poeira não é reciclável te lembro...voa, elameia, mancha, adoece....mas nada de novo escreve.
domingo, 20 de julho de 2014
Abertura....pra dentro pra fora
Meu nome não é Fernanda Nocam, sou Nogueira Campos, não sou poetiza, sou atriz e professora de psicologia, não acerto as palavras numa primeira tentativa, eu erro as palavras nas primeiras e segundas e terceiras linhas...
Eu não tenho o costume de escrever, a caneta é que faz-me o convite de conversa....
Se alguém se interessar que se meta comigo, sim, invada este espaço, grite seu pranto ou sua alegria, sua paixão ou mágoa, seu pensamento em palavra....mesmo que não seja poesia.
Não vale técnica, não aceito razão, só a brutalidade das vísceras expostas...
Estamos combinados?
Eu não tenho o costume de escrever, a caneta é que faz-me o convite de conversa....
Se alguém se interessar que se meta comigo, sim, invada este espaço, grite seu pranto ou sua alegria, sua paixão ou mágoa, seu pensamento em palavra....mesmo que não seja poesia.
Não vale técnica, não aceito razão, só a brutalidade das vísceras expostas...
Estamos combinados?
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