Penso em quem pede para que se dê tempo ao tempo
Como se o tempo precisasse das minhas horas...
O que o tempo precisa é de exercitar sua roda
sem empecilhos
O humano que se vire
para agarrar os segundos
para se achar nos momentos
para se sentir nas horas
que não voltam...
O tempo é respiro, ele não atropela, ele não corre
O tempo não morre, nem mesmo socorre
A gente tenta fazer o tempo, organizar, aproveitar....
Enquanto o tempo ensina a rodar, repetir, desmentir, mudar, envelhecer, recomeçar...
Ninguém perde o tempo....se perde no tempo
É arrastado pelo giro que faz para frente e não para trás...
e ele vai....vai....vai...parado como um furo no espaço....
Sem sol, sem lua, não há guia, não há dia, nem calendário
o tempo é lendário
Como dar tempo ao que não tem horário....eu que não tenho forças para rodar ao contrário
Dou ação, silêncio
escritos, feitos, filhos, células ....minha mortalidade de flor
Murchando aos poucos
Dar tempo ao tempo, é deixar-se morrer lento algo que em algum momento brotou....
ele traz, ele mata....
Muda em cambalhota o que se submete ao brilho dos astros.
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